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Quando o corpo sinaliza que algo está acontecendo

Foto do escritor: Caroline Ferreira dos Santos
Caroline Ferreira dos Santos
24 de ago.
3 min de leitura

Pare por alguns segundos.


Não tente mudar sua postura, nem controlar a respiração ou relaxar. Apenas perceba como seu corpo está agora.


Como está sua respiração?

Existe alguma parte do corpo mais presente do que outras?

Há tensão, leveza, desconforto, calor, frio, inquietação?


Talvez você perceba alguma coisa que normalmente passa despercebida.


Não é preciso descobrir o significado de nada disso. Apenas perceba.


Agora, enquanto você presta atenção, alguma coisa mudou?


É curioso como podemos passar o dia inteiro dentro do nosso próprio corpo sem realmente perceber o que está acontecendo nele.

Estamos acostumados a continuar funcionando. Sentimos cansaço e seguimos. Percebemos uma tensão e ignoramos. O corpo se contrai diante de determinada situação e chamamos de “nervosismo”. Sentimos um incômodo, mas rapidamente procuramos uma explicação ou uma forma de fazê-lo desaparecer.


Na Gestalt-terapia, perceber é parte importante do processo de ampliar a consciência sobre a própria experiência.

Escutar o corpo não significa acreditar que ele guarda respostas prontas ou que toda sensação precisa ser interpretada. Significa poder permanecer próximo do que está acontecendo tempo suficiente para perceber algo que, muitas vezes, passa despercebido.


Antes de explicar ou controlar, é importante aprender a sentir e perceber.


E, a partir daí, talvez seja possível descobrir que o corpo não está apenas reagindo ao que vivemos. Ele também participa da maneira como vivemos, nos relacionamos e entramos em contato com o mundo.


É comum que a explicação chegue antes da percepção.


“Estou cansada porque dormi mal.”

“Estou irritada porque ele fez isso.”

“Estou ansiosa por causa daquela reunião.”


Talvez essas explicações façam sentido. Mas, quando chegam rápido demais, podem ocupar o lugar de algo que ainda nem tivemos tempo de perceber.


Sentir um aperto no peito é uma experiência. Perceber que essa contração aparece diante de determinada situação é ampliar a consciência sobre ela.


Essa atenção à experiência é fundamental. Não se trata de transformar cada sensação em uma mensagem que precisa ser decifrada, como se o corpo escondesse respostas que a mente ainda não descobriu.


Talvez escutar o corpo não seja descobrir o que ele quer nos dizer.

Talvez seja aprender a perceber o que acontece conosco quando estamos em contato com o mundo.


Essas percepções podem nos levar à seguinte pergunta:


O que acontece comigo quando estou nessa situação?


É aí que a experiência corporal pode se tornar uma forma de ampliar a consciência sobre a relação que estabelecemos com o mundo: o que sinto, como meu corpo reage, o que faço com isso e o que se transforma quando presto atenção?


Isso também significa reconhecer que nem toda sensação precisa ser transformada em ação. Sentir desconforto não significa necessariamente que precisamos fugir. Sentir ansiedade não significa necessariamente que existe perigo. Sentir vontade de chorar não significa que estejamos deprimidos.


Às vezes, o primeiro passo é simplesmente conseguir permanecer em contato com aquilo que estamos sentindo.


E isso pode ser mais difícil do que parece.

Vivemos em uma cultura que nos incentiva a resolver rapidamente o que incomoda.


Cansaço vira café. Ansiedade vira tentativa de controle. Tristeza precisa de uma explicação. Desconforto precisa desaparecer.


Talvez por isso aprender a sentir seja também aprender a permanecer por alguns instantes com o desconforto.


Escutar o corpo não é descobrir o que ele quer nos dizer.

É aprender a perceber o que acontece conosco quando estamos em contato com o mundo.


E, a partir dessa percepção, talvez algumas coisas possam ganhar nome. Outras possam pedir uma pausa. Algumas talvez exijam uma escolha ou uma mudança. E outras simplesmente precisem ser sentidas.

 
 
 

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Caroline Ferreira dos Santos - Psicóloga - CRP 12/18739 - Gestalt Terapeuta - Florianópolis / SC

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